Emater-RS/Ascar provoca troca de sementes crioulas

Neste ano, devido ao Coronavírus, não aconteceu o tradicional encontro de sementes crioulas em Colinas, mas o processo está sendo feito através do escritório municipal da Emater-RS/Ascar. Ao preservar e trocar sementes crioulas o agricultor familiar apoia a preservação de uma cultura alimentar, promovendo a alimentação saudável e a sustentabilidade ambiental, além de garantir própria autonomia, por não ficar refém de sementes estéreis.

 

A troca de sementes é realizada anualmente através de encontros e reuniões dos grupos de mulheres, visando recuperar as sementes crioulas que estão sendo ameaçadas de perdas, por erosão genética, substituição por variedades novas, devido a questões climáticas e pela inexistência de um herdeiro para esses guardiões. 

 

Conforme a extensionista rural da Emater, Cleide Gutierrez, as sementes crioulas não revelam alteração genética ou utilização de produtos químicos. Elas são sinônimo de alimentação saudável e apresentam todas as possibilidades de multiplicação de qualquer vegetal seja através de grãos, de uma rama, folha, flor, fruto, da própria raiz ou do caule, que são tão importantes também para que no futuro a gente possa garantir uma alimentação diversificada e de qualidade. 

 

“Elas representam herança da sabedoria de nossos ancestrais, guardam as riquezas naturais da nossa terra. Foram selecionadas por décadas, passadas de geração em geração e seguem até hoje preservadas por famílias rurais, guardiões ou bancos de sementes. “Por serem adaptadas aos locais, são mais resistentes e menos dependentes de insumos externos. Representam garantia de biodiversidade e qualidade nutricional. Por estas razões devem ser resgatadas, preservadas e disseminadas”, sustenta.

 

Para Cleide, as mulheres são as principais protagonistas da reprodução e manutenção de agroecossitemas sustentáveis, sendo responsáveis pela horta doméstica para consumo familiar e comercialização quando possível do excedente, além de executarem atividades relacionadas ao manejo de recursos naturais e conservação de biodiversidade, com a produção e troca de sementes e mudas. “Dessa maneira, devemos ressaltar o papel essencial que as mulheres assumiram como guardiãs no resgate destas sementes, primeiro pela multiplicação de diversas espécies, além de trocarem variedades incentivando a inclusão de novas famílias”, argumenta.

 

A agricultora Edeli Gatermann está entre as mulheres que mantém em sua propriedade, localizada na Linha Beija Flor, sementes de abobora de pescoço, melancia de porco, melão, pepino, feijão, vagem, vários tipos de milho, couve – folha, repolho entre outras. "A gente procura manter esse material, por que é mais rustico, tem sabor diferenciado e é mais saudável”, afirma a agricultora.      

 

Foto: Divulgação/Arquivo

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