Empreendedoras rurais têm destaque em Colinas

 

 

Pode parecer uma simples coincidência, mas não é: o mundo está mudando e cada vez mais as mulheres têm tido protagonismo em atividades e espaços que antes eram destinados apenas aos homens. E, no meio rural, não é diferente. Se antigamente o papel delas no campo era o de cuidar da casa, das atividades domésticas, do almoço, da janta e dos filhos – além de auxiliar na roça -, hoje, elas participam das decisões. Tem poder de escolha, renda própria, qualidade de vida. Situação que pode ser percebida em diversos municípios, como é o caso de Colinas, no Vale do Taquari.

 

No município, a maioria das agroindústrias familiares é "tocada" por mulheres. São produtoras rurais que materializaram o sonho do próprio empreendimento, o que garante autonomia. Não é por acaso que a agricultora Lourdes Scharb, da localidade de Linha Leopoldina, brinca, quando é perguntada sobre a participação do marido na agroindústria que leva seu nome: "no meu negócio mando eu", sorri.  Sobre o "negócio", trata-se de uma pequena indústria de compotas e geleias caseiras, que deverá ser inaugurada ainda neste mês. "É um sonho que estou realizando", garante.

 

A opinião de Lourdes é compartilhada pela de Maria Irena Gattermann, da localidade de Roncadorzinho. Responsável direta pela agroindústria familiar Panela de Ferro, produz biscoitos (sete tipos), pães e cucas que são comercializados todos os sábados na feira local. "Aliás, a própria participação em feiras e em outros espaços públicos, socializando, conhecendo outras pessoas, trocando experiências, é um exemplo do tipo de avanço alcançado quando a mulher rural sai da propriedade", avalia a extensionista da Emater/RS-Ascar de Colinas, Lídia Dhein.

 

Para Lídia não se trata apenas de ter seu próprio negócio. "É estar presente na esfera pública, estar envolvida nas decisões", reforça. Para a extensionista, não é por acaso que, atualmente, o Conselho Municipal da Agricultura, é formado em sua maioria por mulheres. "Isto é algo que mudou através dos tempos, já que já houve conselhos que eram compostos exclusivamente por homens", salienta. Hoje, em Colinas, há vereadoras, secretárias e uma vice-prefeita, a Regina Sulzbach. "E, nesse sentido, acredito que a mulher tem mais flexibilidade e até mais sensibilidade na hora de discutir os temas relevantes para a comunidade", pondera Lourdes.

 

Responsável pela área de agroindústria familiar da Emater/RS-Ascar, o extensionista Alano Tonin salienta o fato de que, seguramente, mais de 60% dos empreendimentos rurais são liderados por elas. "E, novamente, não se trata apenas de produzir alimentos, mas também participar de políticas públicas diversas, nas mais variadas esferas", observa, mencionando programas como o de Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o de Aquisição de Alimentos (PAA). Para Irena a questão toda não está em romper com os homens e sim trabalhar para que a independência, a individualidade e o espaço do cada um seja respeitado. "Eu sou casada há 44 anos e é o apoio mútuo que faz com que as coisas funcionem", finaliza.

 

Fonte: Ass. de Imprensa da Emater/RS-Ascar - Regional de Lajeado

Fotos: Tiago Bald

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