Alunos da Ipiranga participam de palestras sobre bullying e suicídio na adolescência

Cento e vinte alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF)
Ipiranga participaram de palestras informativas organizadas pelo Núcleo
de Apoio à Educação (NAE) e promovidas Programa Saúde na Escola (PSE),
através de uma parceria entre as secretarias municipais de Educação e
Saúde.

Dois temas foram debatidos entre a comunidade escolar e o
palestrante Giovani Piano, psicólogo e policial civil. Na parte da manhã
ele falou sobre O adolescer e as violências: do ato infracional à
cultura de paz na escola. À tarde o tema foi alusivo ao Setembro
Amarelo. Piano abordou o suicídio entre adolescentes focando no desejo
de morte como simbólico e sintoma no adolescer contemporâneo.

Segundo Piano, o bullying também é uma forma de violência no contexto
escolar. “É lesão corporal, ameaça, injúria, calúnia, difamação. Tudo
isso no contexto escolar é o bullying. A palestra, conforme o
profissionais, quis desmistificar o famoso ‘não dá nada’. “Não é que não
dá nada. Dá sim. Existem penalidades previstas para os adolescentes e
quando as redes estão unidas – escola, Conselho Tutelar, Delegacia de
Polícia e as famílias – isso funciona. É importante mostrar para o
adolescente que o seu ato possui uma consequência legal. A piadinha
tola, o empurrão que faz o colega chorar ou as palavras ofensivas que
coloca no perfil do outro em rede social tudo isso é crime e considerado
cyberbullying”, explicou. Foram apresentadas medidas sócio educativas,
prestação de serviço comunitário, semi-liberdade e internação na Fase.
“Quisemos desconstruir a questão da violência é abordar os fatos de
frente, sem colocar panos quentes. Falamos de crime, consequências
penais, atos infracionais e trouxemos isso para o cotidiano da escola”,
sustenta. Como procederem em caso de bullying, como reconhecer o
agressor, omissão, e a quem recorrer também foram itens tratados”.

Já a parte da tarde foi dedicada a noções de auto-estima, autocuidado,
amor próprio, autos e baixos, autolesão, depressão e suicídio. “A
importância do falar e não guardar em silêncio aquela dor da alma e
angustia. É necessário compartilhar com quem o adolescente confia.
Construir redes de proteção ao suicídio, como escuta n escola e grupos
de apoio ao suicídio. A vida precisa ser produtora de sentido, ter uma
meta de vida, um propósito. É um dever dos pais. Vemos muitas vezes
adolescentes tristes, desmotivados, dentro do quarto porque muitas vezes
não possuem um sonho, temos um lar que não tem amparo psicológico para
isso, um apoio emocional ou incentivo. Não há mais diálogo, nem relação,
não há troca de informações. Quando isso acontece sobra para o
adolescente se refugiar no seu próprio mundo, onde surge a alienação. O
que é um prato cheio para a inserção de ideias de melancolia, tristeza,
automutilação, depressão e até o suicídio. Por isso a importância das
famílias e que não haja a transferência desse papel para a escola. O
adolescente precisa se sentir amado e que o adulto se importe com ele. O
pai e a mãe principalmente”, orientou A palestra encerrou com um momento
de reflexão através da meditação sobre autoperdão e também do próximo.

Para o aluno do 9º ano, Gabriel Augusto Villa, 14 anos, a atividade
serviu como reflexão sobre a prevenção da violência. “Muitas vezes
pensamos em nós mesmos e pelo fato do egocentismo partimos para a
hegemonia, o poder, assim cometemos uma violência por já ter sofrido
algo e descarregamos no outro. Por isso a palestra foi uma forma para
refletirmos em não fazer esse tipo de coisa. Foi importante para
pensarmos antes de cometermos um ato de violência. Já o bullying é posto
de escanteio por pais, escolas e alunos. Nos identificamos muito quando
falamos disso, mas no dia a dia não paramos para refletir sobre isso”,
enalteceu.

“Suicídio não é apenas a questão da morte, mas também da vida. Temos que
ter motivo pra viver. Não podemos acabar com a nossa vida assim. Sei de
pessoas que estão passando por isso então achei muito importante
debatermos sobre. Temos que refletir e pensar sobre coisas que nos fazem
bem para não seguirmos nesse rumo”, disse a aluna do 8º ano, Laura Näher
Soares, 13 anos.

Foto: Angélica Pott

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